quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A sala do chefe

É evidente que há uma arquitetura de poder. Fisicamente falando. A sala do chefe é um espaço delineado pela necessidade de isolamento, empoderamento, discrição e, admitamos, eventualmente para conseguir ter nela contida ao menos parte do ego do ocupante.
É necessário que assim seja. Como qualquer conversa que o chefe venha a ter é relevante e nem sempre seus conteúdos são de disseminação imediata, é prudente e recomendável que mantenha a privacidade. Com banheiro exclusivo, porque não. Afinal o cidadão precisa de seus instantes de... meditação.
A mesa deve comportar sua confortável cadeira, o notebook com uma tela fixa de led, um telefone (e apenas um, pelo amor de Deus!!). Foi-se o tempo em que manter sobre a mesa uma vitrine de aparelhos era sinal de poder. Duas cadeiras para reuniões, embora a mesa possa ter até quatro de uma só vez, mas sem que esta arquibancada fique constantemente montada.
Reuniões de feedback, construção de planejamento estratégico, telefonemas, pequenas reuniões. Tudo isso justifica o que parece a alguns invejosos privilégio. É evidente que a gestão moderna e o escasseamento de terrenos urbanos torna ofensivas salas de 100 metros quadrados ou mais. Aí, só presidente, que é outra categoria.
Portas preferencialmente abertas. Elas denotam boa vontade com a equipe, transparência, acessibilidade. Normalmente salas de chefes têm duas portas. Registre-se que a entrada é só uma: aquela guardada pela secretária. A outra pode servir para o chefe sair, para ele levar alguém até um determinado ponto mas, por mais liberal que o chefe pareça, jamais, jamais “invada” sua sala em hipótese alguma.
Entre se for chamado ou convidado. Saia quando sentir que terminou o assunto, se ele atender ao telefone ou abrir o e-mail enquanto você continua falando. Só permaneça se ele o/a convidar a permanecer, autorizando que ouça o que ele conversa ou mesmo bisbilhotando com quem ele troca e-mails.
Ah, há chefes de mesas limpas de papéis e há chefes de montanhas desordenadas. Bem, às vezes ordenadas. Traços de personalidade. Mas trate de, com discrição, ver tudo o que possa, ler tudo o que não deva, identificar tudo o que for possível. Na mesa de um chefe só costumam estar papéis relevantes e, neles, o futuro da empresa ou dele mesmo. Ou o seu, eventualmente. Nada de bisbilhotar, mas passar um scanner com os olhos. E ter boa memória, claro.
Chefe tem vaga no estacionamento, banheiro privativo e... secretária. Mas isso é assunto para um próximo post.

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