terça-feira, 29 de março de 2011

José Alencar, cabra bom!!!

Conheci José Alencar em um almoço. Ele no exercício da presidência, eu editor chefe do Jornal do Brasil. No almoço, encontro de empresários. Na sequência, a entrevista. "Tem uma cachacinha pra acompanhar a prosa?", perguntou ele, com aquele jeitim minerim simplizim. "Temos Montanhesa premium" respondeu um copeiro, apresentando a garrafa de vidro jateado. "De Araguari, conheço". Servimos o primeiro copo, eu e ele. Perguntas, respostas, mais perguntas, o segundo copo. O papo flui naquela simplicidade que foi sua marca do inicio ao fim. O rumo da prosa nos leva para as cachaças, paixão de ambos. Ele produzia, em sua fazenda em Pedras de Maria da Cruz, as marcas Maria da Cruz, Porto Estrela e Sagarana. Maria da Cruz, de fortes perfume e paladar, tornou-se um ícone em Brasilia. Merecidamente. José Alencar elogiou a "concorrente" de Araguari e partia para mais um golim quando seu assessor, diplomata, informou que estava na hora de seguir para a próxima agenda, no BNDES. Alencar nem era com ele. O assessor andava ostensivamente de um lado para outro ate que o presidente em exercicio interrompeu: "Tá com pressa, vai andar em outro lugar. A prosa tá boa, a bebida tá boa e esse seu andar tá me deixando nervoso". O diplomata sumiu. E encurtamos a conversa. Ele ainda convidou: "Vamos marcar um dia para irmos até a fazenda. Mando matar um boizinho, abrimos umas cachacas e ficamos ali, olhando o São Francisco, pois a fazenda tem uma testada de 15 quilometros de São Francisco." A visita jamais foi concretizada.
Voltamos a nos encontrar em Brasília, numa reuniao no apartamento funcional do então do presidente do seu partido. Reunião de baixo clero, com vários deputados, alguns senadores. José Alencar me reconheceu, se aproximou e disse: "Vamos conversar sobre aquilo que de fato interessa. E vamos falar com entusiasmo pois assim ninguem ousará nos interromper". Pois foram uns 40 minutos que comecaram com os dois vasculhando o rótulo de uma garrafa de Old Parr em busca da graduação alcoólica ("Tai, quase igual cachaça") e nos planos de lancar um produto para exportacao, cujo nome seria justamente a graduacao alcoolica da dita.
Em Minas, reza a tradicao, bebemos aos mortos. José Alencar merece um brinde especial, como Tancredo mereceu um golim de Matusalem.
Das duas cachacas, qual a melhor? Isso nao se compara, se degusta!

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